26 de jun de 2007

Cumplicidade e Curitiba - parte II


Conto nº 04
Idéia por Felipe Belão Iubel,

Parte II
por Alice Salles



Com aquela cara de ranzinza que tenho nunca imaginei que ele viria falar comigo. Se bem que falar todo mundo pode, isso não quer dizer nada. S chegou bem perto e dava pra ver a ponta do nariz vermelha por causa do frio. O cabelo todo esvoaçante e a fumacinha que Saia pela Sua boca. Aliás, foi ali que reparei... Mas que boca! Eu provavelmente fiquei o observando demais já que ele perguntou novamente "então moça, como vai o Seu joelho?". Gaguejei um pouco até responder a maldita pergunta com um gélido "tudo bem, tudo bem, obrigada". Claro que dei um Sorriso no fim dessa resposta Seca e esperei por mais alguma reação do rapaz curitibano que estava a minha frente. Ele Só Sorriu Se levantando pois tinha inclinado o tronco a frente para falar comigo e falou qualquer coisa que eu não entendi. Falou baixinho olhando para baixo e eu não entendi. Logo fiquei com cara de boba, jornal na mão, S a minha frente com uma interrogação no rosto. Eu, muda. Nervosa larguei o jornal ao meu lado no banco e perguntei "como disse?". Ele deu uma bela gargalhada e repetiu a sua pergunta. Queria Saber Se eu Sempre andava pelo Barigui. Pensei que era uma cantada furada, disse que às vezes, mas só quando estava bem frio. "Quanto rancor nesse coração", exclamou S, "quanta intimidade que não te dei!", respondi agressivamente como de costume. Ele perguntou Se poderia Sentar ao meu lado e tirei o jornal para me mover para o canto do banco. É assim que age uma mulher com a idade de Cristo e com todo o peso da cruz nas costas. É assim...

S Sentou e enfiou as mãos nos bolsos do blusão preto que estava usando. Tinha um cheiro muito bom, algo que me lembrava do meu pai que não falava comigo há decadas! Pais gaúchos São duros. Não tinha nada que passava pela minha cabeça, fiquei ali amassando o jornal com a minha mão esquerda enquanto S olhava em volta. "Quer caminhar comigo?". "Não posso", respondi "Porque?" S perguntou, "Por causa do meu joelho" respondi. Ele soltou um sonoro "aaahhhh" enquanto ainda observava o parque e suas figuras exóticas. "Quer deitar na grama?", eu choquei! "O que?" perguntei com um berro que saiu mais alto do que a encomenda. "Deitar na grama... Deitar, sabe como? DEI-TAR!", S pareceu um pouco irritado comigo como Se realmente não tivesse entendido a pergunta, mas eu entendi! "Mas deitar pra que?", "Sei lá! Pra fazermos algo diferente!", "Mas, mas...", "Chega de mas, vamos". S Saiu do banco e Se deitou na grama que deveria estar úmida e nojenta. Eu me levantei com uma certa dificuldade enquanto ele estava lá, com as mãos debaixo da cabeça, pernas cruzadas como se estivesse deitado no Sofá de casa. Apoiei meu joelho com dificuldade na grama, a pontinha dos meus dedos no chão com um certo nojo e fui me virando até finalmente deitar. A tensão estava clara no meu Semblante.

S Se virou e disse "Mas que mulherzinha Sem personalidade!". Abri os olhos e uma verdadeira indignação tomou conta de mim. Me levantei em um pulo e enlouquecida perguntei o que ele tinha acabado de falar. S Se levantou e enquanto caminhava pra longe respondeu "O que você ouviu."

CONTINUA....

3 comentários:

Felipe "Tito" Belão disse...

eles começaram brigando já.. hahahahha

definitivamente é um serginho....


a alice mesmo não morando aqui, conhece as mulheres curitibanas...

mas repetindo.. eu amo curitiba!

ps.: adorei as referências

Alice Salles... disse...

Queria continuar! hahahaha
Mas nao vou! Vou me segurar!
hahahaha

mercedes disse...

Mas que S chato pra carai! Depois de levar 2 cortes ele não deveria ter ido embora?
hahahah