10 de abr de 2007

Daren e Mariana XI


Por Fernando Gravata - desafio caixa preta



DIA SEGUINTE, NA CASA DE MARIANA:
(toca o telefone)

Mariana
- Alô... (com voz de sono)

Mulher do Hospital
- Senhora Mariana?

Mariana
- Sim... Quem é?

Mulher do Hospital
- É do Hospital-Escola Nossa Senhora das Guirlandas Esmeralda.

Mariana
- Vocês querem uma doação?

Mulher do Hospital
- Não, não. É que o senhor Daren Ross acordou.

Mariana
- Ah, muito obrigado por dar essa notícia! Achei que fosse demorar mais... Presumo que a mulher dele esteja feliz com o fato....

Mulher do Hospital
- Como? Que mulher?

Mariana
- Laura Ross. Ela ficou no meu lugar.

Mulher do Hospital
- Não há nenhuma Laura Ross registrada.

Mariana
- Como assim?

Mulher do Hospital
- Não há. A única visita registrada é você.

Mariana
- Mas havia uma mulher aqui...

Mulher do Hospital
- Bem vestida, tal e coisa?

Mariana
- Sim, exatamente...

Mulher do Hospital
- Deve ser a doida...

Mariana
- Que doida?!?

Mulher do Hospital
- Aqui tem muita gente doida, dona Mariana. Muita gente doida! Tem a mulher que consola os outros porque a família morreu, mas na verdade a dita cuja está com a família inteira vivinha da silva; ela só consola mesmo para ver os outros chorarem.

Mariana
- Mas a Laura não é a que consola!

Mulher do Hospital
- Sim, eu sei. Ela é outra doida. Sempre finge que é mulher, irmã ou filha de algum paciente, e passa a noite no quarto com ele.

Mariana
- E ninguém nunca pegou essa doida em flagrante?

Mulher do Hospital
- Duzentas e cinqüenta vezes! Certa vez, ela disse que era filha de um velhinho quase moribundo, e já havia uma filha presente, que se considerava 'única'. Imagine o rebuliço. Sem contar outra vez em que ela disse que era esposa, e a própria esposa estava chorando ao lado da cama. Nossa! Cada uma...

Mariana
- Tá, tá... Posso ir até aí?
- Sim, claro. O horário de visita começa às duas, mas você pode vir agora, sim...

INTERLÚDIO I

RODOVIA AYRTON SENNA, A CAMINHO DE SÃO PAULO.
Um Mercury Monterrey dourado, com capota do tamanho do Texas e assentos impecavelmente brancos, tudo aparentemente original. Rolando uma sonzeira da pesada: jazzfunk da melhor qualidade.

Ao volante, Mr. W., um negro alto, forte e bonito, impecavelmente vestido, com terno e camisa feitos por alfaiate, cabelo raspado e óculos ray-ban. Terno cinza, camisa rosa num tom bem claro, sem gravata. Apenas o primeiro botão desabotoado.

HOSPITAL
Mariana entra correndo, meio aflita, mas é parada por uma mulher. Aquela mesma, da noite anterior.

Mulher
- E aí, deu certo?

Mariana
- Sai da minha frente, se não te dou uma voadora na clavícula.

Mulher
- Poxa...

Mariana então continua correndo e vai até o quarto de número 302. Lá, encontra Daren deitado na cama, com olhos semi-cerrados e uma cara um tanto atônita.

Mariana
- Edge! Você tá bem?

Daren
- Quem é você?

Mariana
- Sou eu! Max! A Max! Mariana! Edge!

Daren
- Desculpe, mas não a reconheço...

Mariana (com lágrimas nos olhos)
- Meu Deus...

Daren
- Você poderia tirar toda sua roupa para ver se me lembro?

Mariana
- Filho da puta! Vaso ruim não quebra, mesmo! Ah, que bom! Você tá bem!

Daren
- Não diria 100%, mas já passei dos 60 pontos percentuais com certeza.

Mariana
- Você ainda fica muitos dias aqui?

Daren
- Acho que sim. Se bem que minha recuperação foi realmente rápida. Chegaram a me apelidar de Wolverine Loiro. Há poucos registros de gente que se acidenta como eu, entra em coma, acorda e continua falando normalmente no dia seguinte.

Mariana
- Eu acho melhor você descansar... Volto depois, tá? Vou trabalhar um pouco...

Daren
- Beijo, Max! Volta, sim!

Na saída do quarto, Mariana flagra a outrora "Laura" entrando em um quarto. Em vez da roupa de executiva, ela veste um longo vestido preto e traz consigo um lenço branco. Seu primeiro impulso é o de entrar naquele quarto e desfazer a farsa, mas Max é Max, e ela deixou o circo pegar fogo. Cada um com seus problemas.


CASA DA DINA
Dina dorme o sono dos justos, embora ela não seja exatamente uma pessoa justa. Mas sono é sono, e o da Dina é realmente de pedra. Não acorda nem com os roncos estratosféricos de Alcebíades, seu pug.

O telefone já tocou trinta vezes, e nada dela acordar. No chão, a agenda telefônica jogada e aberta na letra "V". A mesma agenda que ela deixou naquela noite.

A letra "G", como todas as demais, contém nomes e parênteses explicativos. Graça (salão de beleza), Guilherme (computador), Garcia (despachante) etc. Mas nossa câmera dá zoom em apenas um nome e sua explicação: Gustavo (amigo daren - contato turbinada).


UM CAFÉ QUALQUER EM SÃO PAULO
Vivianne, a siliconada /turbinada /peituda /gostosa /etc, está sentada esperando alguém. Pela cara de poucos-amigos, está esperando há horas. Mas, não. Desde que se sentou, só se passaram cinco minutos.

Eis que chega Gustavo, e ela se levanta sem alterar o humor. Cumprimentam-se e ambos se sentam:

Vivianne
- Por que me chamou aqui?

Gustavo
- Para ter certeza de que você não fará nenhuma besteira.

Vivianne
- Que besteira?

Gustavo
- Você PRECISA fingir que é minha amiga, ok? PRECISA de todo jeito...

Vivianne
- Mas... Não entendo. Que diferença faz? Eu saí com o cara, estou atrás dele, do jeito que você pediu.

Gustavo
- Eu sei. E sinceramente não sei por que ele resiste tanto. Você já ganhou sua grana, eu já ganhei a minha. Mas podemos ganhar o dobro - O DOBRO! - se ele cair de vez nos seus encantos.

Vivianne
- Deixa comigo.

Gustavo
- Deixa o caramba! Você sabe muito bem que ele me ligou da praia, dizendo que estava de saco cheio de você. Homem é assim mesmo. Você precisa desgrudar, mas ao mesmo tempo manter a chama acesa. Ah, porra, sei lá... Inventa alguma putaria.

Vivianne
- De que tipo?

Gustavo
- Ménage! Ele já fez trocentos, mas está sempre de portas escancaradas para a idéia. Diga que tem uma amiga querendo experimentar. Ou duas amigas. Acerta com elas, a gente paga tudo direitinho. Precisamos do serviço feito, porra!

Vivianne
- Entendi, entendi. Eu dou um jeito. Esse cara será meu.

Gustavo
- Não, não será. Basta que você o seduza por uns dois meses, nada além disso. Nossa grana já tá garantida assim.

Vivianne
- Bom, eu vou agora. Tenho hora marcada, preciso correr.

Gustavo
- Tá. Desculpa marcar tão longe. É que ninguém pode nos ver junto, enfim... Você sabe.

Vivianne
- Sim, sei. Tudo bem...

Gustavo
- Dois meses, Vivi! Só dois...

Vivianne
- Deixa comigo.

Gustavo então apanha o telefone celular e pela vigésima quinta vez liga para o mesmo número. Desta vez, é atendido.

Gustavo
- Dormindo até agora? São quase três da tarde!

Dina
- Sim... Estou meio zonza ainda... É você, Gu?

Gustavo
- Sim, Dina, sou eu. Olha, acho que o plano vai dar certo, sim. Não precisa se desesperar...

Dina
- Não preciso? Estou ficando paranóica! Lembra quando falei com você como se estivesse falando com uma amiga? Achei que alguém pudesse entrar aqui, ou me ouvir... Estou ficando louca já.

Gustavo
- Quem diria! Dina apaixonada!

Dina
- Não sei mais o que eu faço! Não sei mesmo!

Gustavo
- Sabe o que você faz? Volta a dormir. Eu já acertei aqui com a Vivi. Ela vai mudar o estilo. Acho que o Daren fica fora da jogada por uns dois meses.

Dina
- É o que eu preciso. Quero pelo menos esse tempo para tentar conquistar o meu verdadeiro amor...

Gustavo (interrompendo e a imitando)
- "Verdadeiro amor"... Hahaha! Você é genial, Dina! Tantos homens já caíram aos seus pés! Tantos homens nestes anos todos! E justo uma mulher que te deixou assim?

Dina
- Não sei o motivo, também. Apenas sei que amo a Mariana acima de tudo. E farei tudo para conquistá-la.

EPÍLOGO

CASA DA MARIANA
Mariana está deitada no sofá, lendo algum livro cuja importância é mínima para esta trama. Pensa em Daren, pensa em como tudo mudou de uma hora para outra, pensa na mulher que consola, na outra que se finge de parente.

Até que ouve um estridente e inconfundível ronco de carro antigo e potente, que ela identifica perfeitamente mesmo estando no terceiro andar. Mais um pensamento se soma aos outros: Mr. W!

Ou, precisamente, Walter Connenberg, um mulato filho de pai judeu norte-americano e mãe brasileira. Ela o conheceu em Nova Iorque, mas por coincidência ele sempre vinha ao Brasil, passar pelo menos quatro meses ao ano.

Walter, ou Mr. W, é dono de uma corretora de valores que opera em pelo menos cinco bolsas do mundo. Além de riquíssimo, é lindo. E foi aparecer justo agora!

O porteiro interfona, ela solta o famoso "pode mandar subir" e vai até a porta. Como explicar para o Walter? Como simplesmente dispensar Mr. W? Não se trata apenas da melhor foda do planeta terra, mas também de um dos homens mais bem-sucedidos do mundo ocidental.

Ela ouve a porta do elevador se abrindo. Ele sai e caminha até a porta de seu apartamento. Ela ameaça dizer algo. Ele não deixa.

E eles então se beijam como devem se beijar os casais que não se vêem há muito tempo. E se abraçam. E naturalmente entram no apartamento, sem se desgrudar.

CONTINUA...

14 comentários:

Mercedes Gameiro disse...

Como eu já disse, o Gravata é de longe o mais maluco de nós.

Mas eu já tinha cá uma desconfiança de que a Dina tava afim da Mariana...Só não imaginei que ela contrataria logo o Gustavo...pra separar o Daren e a pobre Mariana.

hahahaha!

flavia melissa disse...

wowwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwww!!!
gravata dá medo em flavia e encanta melissa!!!

.

agora que pedroca tá virando pedrão, dina tá viranmdo sapata e o pug se chama... asdrúbal? aníbal? não, não, é alcebíades... nada mais natural...

.

mr w. é o máximo. negão judeu de nova york? só faltou a boina risca de giz e o colar dourado no pescoço, uma versão tarantina de doctor dree...

.

quem escreve o próximo? hein, hein, hein? carol, manifeste-se menina!!!

flavia melissa disse...

e cá entre nós... esse gustavo é bem féla, né???

Mercedes Gameiro disse...

Duas coisas:

1. Mariana anda chegada numa menoria: gay, lésbica e agora negros e judeus (ao mesmo tempo)

2. Daren
-" Você poderia tirar toda sua roupa para ver se me lembro?"

Esta é uma frase DAREN!

Gravatai Merengue disse...

O Gustavo é bem fiadaputa, mesmo :D

marcos freitas disse...

BRAVO!!!
OMG! ahei que o daren é que tinha batido a cabeça mas... quanto tempo dormi?
ahahahahah acho que tô começando a entender qual é a do pug, ahahahaha
é isso aê, sem sossego pro espectador, cada um que se especte como puder!!!
...aliens já na parte XII?
YEAH, ALIENS JÁ!!!!!
AHAHAHAHAH

Alice Salles disse...

NOSSA! Dei mta risada! hahahah Essa Laura Ross doida! Que demente! Esse pug, essa DINA! HAHHA Tá demais!
E Aquela frase é mto Daren mesmo, eu até VI a cara de Sawyer do cara dizendo isso! hahahha


Quem escreve o próximo!?
EU?
Se puder ser alguem e dai eu escrevo o rpoximo ficarei feliz! hahahaha Tá uma loucura por aqui!

Carolina Garofani disse...

Soy yoooooooo
geeeeeeente que estou ABISMADÍSSIMA huahuauhauhuha

Felipe "Tito" Belão disse...

Caras mentes doentias,

só tenho uma coisa a dizer depois de ler esta parte do gravata...

...hoje, sinto que não estou sozinho no mundo.

Aplausos!

flavia melissa disse...

clap clap clap clap clap clap
clap clap clap clap clap clap
clap clap clap clap clap clap
clap clap clap clap clap clap
clap clap clap clap clap clap

marcos freitas disse...

clap clap clap clap clap clap
clap clap clap clap clap clap
clap clap clap clap clap clap
clap clap clap clap clap clap
clap clap clap clap clap clap

rafaela disse...

Os leitores podem publicar cometários tb?
Povo, tá muito bacana acompanhar tudo isso!
Fico muito ansiosa a cada novo capítulo, não tenho mais o meu capítulo preferido!
parabéns a todos!

flavia melissa disse...

wow!!!
quero o próximo!!!

.

rafaela, comente, comente, comente!!!
somos carentes!!!

.

hahahahahaha dá-lhe mercedes...

Marília disse...

Genteeeeeeeeeeee...o Gravata é divertidíssimo!!!
Adorei!!!