9 de abr de 2007

Daren e Mariana VIII

Por Flavia Melissa - Desafio Caixa Preta




Estão todos sentados na sala de Dina, riso amarelo e silêncio desconfortável. Mariana se incomoda com a presença de Desespero Praiano, tenta olhar para outra direção, mas não consegue desviar os olhos da gostosa sentada ao lado de Daren.

Mariana divide um sofá com Dina, que se levantou e foi até o bar buscar bebidas. Pedro e Ademir estão sentados em outro sofá.


Ademir
Quer fazer o favor de parar de olhar prá guria?

Pedro
Tá louca, filha? Aquela fruta eu jogo fora com caroço e tudo, não tiro nem a casca!

Ademir
Pode confessar! Confessa que em uma dessas festas da Dina você conheceu uma mulher deslumbrante com meio quilo de silicone em cada peito e descobriu que é sapata!

Pedro
Ô, minha Nossa Senhora dos caralhos cravejados de swarovski, que foi que eu fiz? Abadá de micareta com o Santo Sudário?!

No outro sofá Daren está sentado desconfortável, tentando se esquivar enquanto a gostosa se insinuo, cruzando a descruzando as longas pernas e mexendo no cabelo obsessivamente.

Gostosa
Daren querido, porque é que você nunca mais me ligou depois do nosso finalzinho de semana juntos? Senti saudades...

Daren
Estive ocupado... Você sabe...

Gostosa
E deu tudo certo com o Gustavo? Você pareceu tão preocupado depois que ele te ligou pedindo ajuda...

Daren
Hã? Ah... Deu tudo certo sim.


Daren olha para Mariana, que o fita com olhar embasbacado. Em uma fração de segundos que pareceram uma eternidade, seus olhos se cruzam. Mariana baixa os olhos.


Dina
Bom, peguem seus copinhos e façamos um brinde à amizade. Ui, que loucura, tanta gente bonita espalhada pelos meus sofás, em uma plena tarde de semana!

Pedro
Ui, acho que não devo bebericar nadinha até a próxima semana... Dizem que o fígado demora pelo menos cinco dias prá voltar ao funcionamento normal depois de um porre bem amarrado!

Ademir
Ai, guria, você só bebe quando eu não tô por perto, é?

Pedro
Não meu anjo, eu gosto de encher a minha fuça em ocasiões festivas, mas isso aqui tá parecendo um velório! E eu tô com o morto ressucitado bem na minha frente, valha-me meu pai!

Mariana aproveita a situação e se levanta, pegando o celular dentro da bolsa e fingindo que atende a uma ligação.

Mariana
Alô? Oi querida, só um segundo – com licença, é minha assistente.

Afasta-se em direção à sacada, falando.

Mariana
Oi meu amor, pode falar.

Assim que se vê longe dos olhares alheios, bate o flip do celular, cogitando jogá-lo na piscina. Por fim encosta-se no parapeito, examinando o caminho que leva do pátio interno até o portão de saída. Será que existia alguma chance de pular da sacada sem danificar permanentemente seus saltos Prada? Daren se aproxima sem ser visto.

Daren
Eu sabia que não tinha ligação nenhuma. Você não é do tipo de mulher que trata a assistente por “amor” ou “querida”.

Mariana
Adoraria saber que tipo de mulher eu sou.

Daren
Do tipo que me faz ter vontade de...

Mariana
Olha só, Edge, não é um bom momento, ok?

Daren
Parece que nunca é um bom momento, não é? Acho que cometi um erro vindo até aqui.

Mariana
Pois é isso que estou dizendo desde que você colocou a sua cara sala a dentro.

Daren
Olha, me desculpa, Max... Eu nunca imaginei que ela fosse aparecer por aqui. Escuta, porque não damos simplesmente o fora e saímos pela porta dos fundos? Ainda dá tempo de jantarmos juntos.

Mariana
Jantar? Mas faça-me o favor! Por acaso tem um luminoso em neón piscando “trouxa” na minha testa? Eu não vou a lugar nenhum com você, nem a paulada na nuca!

Mariana tenta andar em direção à sala, mas Daren a segura pelo braço.

Daren
Max, deixa de ser turrona! Eu vim aqui atrás de você, não dela!

Mariana
Mas ela, pelo jeito, adorou a sua trepada de misericórdia. Quantas outras existem na sua listinha de “amigas” de final de semana? Será que por acaso existe um Desespero das Montanhas? Talvez um Desespero Metropolitano?

Daren
Max, tenho um passado, assim como você.

Daren puxa Mariana pelo braço com mais força e mais para perto, até que os narizes se encostam. Por alguns segundos, eles se perdem no olhar um do outro.

Daren
Vamos sair à francesa, deixa esse povo toda prá trás e vamos passar mais de meia hora juntos. Você vai descobrir que eu não sou tão ruim assim.

Mariana olha para Daren e sorri a contragosto. Quando Daren a puxa mais para perto, ela diz:

Mariana
Aqui não. Vamos nos encontrar no Marroquino em meia hora. Eu vou na frente, você se livra do Desespero Siliconado e sai em seguida.

Daren
Mal posso esperar.

Daren solta o braço de Mariana, que pega o celular dentro da bolsa, abre o flip e o encaixa no ouvido. Sorri para Daren, antes de entrar na sala.

Mariana
(fingindo falar ao celular)
Claro, pode deixar comigo. Outro prá você. – Desliga o celular, olhando entristecida para Dina, que toma uma taça de champagne com um horroso Pug no colo – Me desculpa, amiga, mas tenho que sair para resolver uns probleminhas no escritório.

Dina
Oh, algo sério, meu bem? Você precisa de alguma coisa?

Mariana
De uma assistente que tenha mais do que dois neurônios? Edson e Hudson estão de mal, e ela precisa de mim prá resolver umas pendências de uma festa no final da semana – Se inclina na direção de Dina, dando-lhe um beijo em cada face – Nos falamos amanhã, ok?

Dina
Espero que as minhas festas sejam as suas queridinhas, e que nenhuma bruaca botoxeada roube meu espaço conquistado a duras penas nas colunas sociais.

Mariana
Nem eum um milhão de anos, meu amor. Você é a menina dos meus olhos. Tchaus minhas flores do campo – para Ademir e Pedro.

Pedro
Tchau, loira! Arrasa!

Mariana
Tchau doçura, me liga mais tarde.

Mariana sai pela porta e seu sorriso se desfaz no exato momento em que a porta se bate. Sentindo-se mortificada, caminha pelo pátio interno, até atingir o portão de saída, que o vigia abre com um sorriso no rosto.
Antes de cruzar a soleira da porta, sente estar sendo observada e olha para cima, na direção da varanda. Daren está lá, fitando-a. No exato momento em que a porta se fechava, ela viu uma cabeça loira sustentada por dois peitos imensos ocupar o lugar que ela estava, apoiada no parapeito, ao lado de Daren.

Caminha até a esquina, pega um táxi, dá o endereço e suspira. Vinte minutos depois está em casa, assistindo televisão. O telefone toca, ela vê na bina que se trata de Daren, mas deixa que o barulho do toque morra aos poucos, enquanto ela fecha os olhos e se entrega à sensação de moleza causada pelas três taças
de vinho.

CONTINUA...

2 comentários:

Felipe "Tito" Belão disse...

Cada vez aparece um personagem.. essa vez é o pug...
hahahahaha

fazia tempo que a internet não era tão interessante quanto está nesses dias..

Mto bom, Flavia!

Abraços e Beijos

Fê Savino disse...

Estou amandoooooooooooooooo